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Você não escolhe ser racista, mas pode evitar ser um supremacista

Esse assunto vai parecer bastante indigesto, mas se você é um homem ou mulher branca, provavelmente você é racista, mesmo que não queira. Você não tem escolha, a sociedade brasileira é assim e você faz parte dela. Mas pode escolher não se tornar algo pior, um supremacista racial.

A socialista Robin DiAngelo passou 20 anos estudando o que ela chama de “fragilidade branca” nos EUA, essa mulher ajudou o Starbucks após o incidente racista com dois homens na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos e vem ajudando outras empresas a entender suas dificuldades.

Para DiAngelo brancos são extremamente previsíveis, seus padrões incluem que "foram ensinados a tratar todos da mesma forma", que não enxergam cores", que "não se importam se você é rosa ou etc…” e em alguns casos vão evocar um familiar negro para justificar que não é racista.

A sociedade segregada se preparou para isolar o branco da discussão racial. Um branco não precisa definir sua raça e sua cor, ele se interpreta como o cidadão padrão. Se olharmos para a história da abolição brasileira podemos entender como isso impactou nossa sociedade.

Quando a Lei Áurea foi assinada a maior parte dos negros já havia se libertado através de revoltas e lutas abolicionistas, isso em 1888, agora quem dera se o racismo tivesse sido apagado através de uma caneta e do papel. Ele continuou por um bom tempo.

A capoeira, era proibida até 1912, época que os ideais de eugenia começaram a florescer na sociedade. A eugenia falava de pureza racial, entidades governamentais e universidades queriam clarear a raça brasileira. Em 1920 ainda havia leis que impediam imigração de negros no país.

Durante a ditadura o governo promoveu o discurso da Democracia Racial, uma teoria baseada na obra de Gilberto Freyre, com o argumento que a mestiçagem resolveu os problemas raciais do Brasil. Foi contestada depois por nomes como Florestan Fernandes e Virgínia Bicudo.

Todos esses eventos nos trouxeram aqui. Onde muitos brancos descendem de homens que defenderam ideais eugenistas, racistas e promoveram uma crueldade brutal contra pretos e índios. É infantil acreditar que, ao menos seu avô, não foi criado próximo de um racista.

Esses ideais não foram diluídos no imaginário coletivo dos brancos. A pesquisadora brasileira Lia Vainer Schucman, doutora pelo Instituto de Psicologia, afirma que brancos, muitas vezes, são racistas sem saber que o são.

Brancos reproduzem o racismo de forma inconsciente, quando projetam na sua mente uma imagem pejorativa do negro e de suas características. Se pensar na figura de um médico, por exemplo, a primeira imagem que vem a cabeça é um homem branco. Nunca de um negro.

Para o Prof°. Dr. Kabengele Munanga "nós temos uma grande dificuldade, na sociedade brasileira, para entender e decodificar as manifestações do nosso racismo, pq tem peculiaridades que diferenciam das outras manifestações do racismos (nos países estrangeiros).

A fragilidade branca aqui criou uma ideologia, a democracia racial funciona como uma crença, uma ordem, uma verdadeira realidade. Assim fica difícil arrancar do brasileiro comum a confissão de que ele também é racista.

Estudos da ONU mostram que a cor da pele é componente central na estruturação das desigualdades no Brasil, afetando o acesso ao emprego e a maiores níveis de desenvolvimento. No país, negros vivem, estudam e ganham menos do que brancos.

Isso porque na hora de contratar alguém, sua mente prefere outro branco. Quando entra em uma empresa de um negro sua mente diz que não é confiável. Todo o sistema racista dos séculos passados deixou estereótipos cravados na população.

Colocando negros em uma situação em que, mesmo diante do esforço de elevar seu status educacional e profissional, pretos encontram restrições no meio dos brancos. Que ainda insistem em não aceitar seu racismo.

Os brancos de hoje não criaram o racismo, mas propagam ele. De forma impensável ou inconsciente são responsáveis pela manutenção do status racial. Se você nunca pensou sobre isso, então ainda propaga o racismo. Quem já pensou tem sempre duas escolhas…

… ser responsável e ajudar a sociedade a exterminar esse problema ou se apropriar do racismo como sua ideologia e se tornar um verdadeiro supremacista. Supremacistas espalham discursos de ódio pela internet e fora também.

Grande parte dos haters são supremacistas, ofendendo características negróides e instigando grupos a perseguirem jovens. Qualquer pessoa pode ser um supremacista, muitas vezes são quem deveria nos proteger mas preferem aumentar as estatísticas do genocídio negro.

Atualmente grupos supremacistas tem crescido, inclusive no Brasil. A polícia tem investigado cartazes da KKK em São Paulo e Blumenau. Esse tipo de coisa acontece porque negros passam a ter mais representatividade. Não é uma questão nova.

Sempre que um grupo de negros consegue evoluir na sociedade, os supremacistas aparecem. “Eu acredito que haverá um choque entre aqueles que querem liberdade, justiça e igualdade para todos e aqueles que querem continuar os sistemas de exploração. ” - Malcolm X

Fontes: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7