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Fábio Prado Lima

Fábio Prado Lima

Normalmente só bocejamos quando estamos morrendo de sono, de tédio ou de cansaço. Nessas condições, o metabolismo fica naturalmente mais lento e o sangue circula mais devagar, fazendo com que o nível de exigênio no cérebro fique muito baixo. Abrir o bocão e inalalar aquela grande quantidade de ar, além de acelerar a circulação sanguínea, aumenta a concentração de oxigênio no cérebro – o que recarrega as nossas energias por alguns instantes.

Ok, mas por que o bocejo é tão contagioso?

Aí os motívos são diferentes.

Temos uma tendência natural de imitar automaticamente tudo que vemos os outros fazerem. A gente só não vive imitando todos os gestos dos outros graças à ação de outro pedaço do cérebro, o córtex pré-frontal, que impede que a imitação feita pelos neurônios-espelho seja executada e vire um gesto, muitas vezes ridículo.

Mas se todas as outras imitações podem ser bloqueadas, por que o bocejo é irresistível?

Porque quando você vê um bocejo, ou simplesmente ouve a palavra bocejo, além dos neurônios-espelho, seu cérebro aciona também a amígdala e o hipotálamo. São esses dois que provocam as alterações que acompanham o bocejo: a pressão arterial sobe, você se estica, inspira fundo e fica mais acordado.

A amígdala e o hipotálamo escapam ao controle do córtex pré-frontal e não podem ser bloqueados. Por isso, quando seus neurônios-espelho decidem imitar o bocejo alheio e o programa do bocejo chega ao hipotálamo e à amígdala, a neurociência tem apenas um conselho a dar: tente ser discreto!

Aliás, quantas vezes você bocejou lendo esta resposta?