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As mensagens ocultas nos Kentes, tecidos dos reis Ashanti

A África é rica em símbolos, que foram renegadas pelo ocidente, consideradas primitivas e inferiorizadas pelo eurocentrismo no conhecimento geral. Quem consegue olhar além do preconceito descobre uma riqueza cultural milenar, traduzidas de formas fantásticas como o Kente.

Kente é um tecido tradicional dos povos Ashanti ou Asante, é um dos povos mais imponentes e que conseguiu reunir um império em 1640 através do lendário Osei Tutu - localizado onde hoje reside a atual República de Gana.

Os Ashantis mantinham impressionantes e complexos sistemas de comunicação, como por exemplo a comunicação por tambores entre as vilas. O seu artesanato também ilustrava todos os aforismos, provérbios e conhecimentos do povo através dos Adinkras e dos tecidos conhecidos como Kente.

Ele é um pano real e sagrado akan, usado apenas em tempos de extrema importância e era o pano dos reis. Feito com tiras de seda entrelaçadas com uma textura diferente dos tecidos de algodão. A palavra significa “cesta”, por ter sua produção parecida na época.

Inicialmente esse costume ficou concentrado no povo Ashanti, mas se espalhou por toda África – apesar de ainda ser considerado mais ligado ao povo de Gana. Ele também deixou de ser exclusivo aos suseranos, apesar de ainda estar ligado a ocasiões especiais do povo.

A característica mais fantástica do Kente é que o povo Ashanti construia frases e aforismos com o tecido e todos conseguiam reconhecer os seus significados através dos padrões e das cores utilizadas para o tecido.

PNEU NANKA (exploração)

Símbolo do trabalho forçado é oriundo de um provérbio que fala sobre carregar um fardo pesado, provavelmente utilizado pelas tribos que foram subjulgadas ao redor dos Ashantis.

ADWINASA

De acordo com os anciãos, o criador desse tecido tentou tecer um tecido exclusivo para agradar o Asantehene (rei dos Ashanti). Em seu esforço, ele usou todos os motivos conhecidos pelos tecelões para tecer um tecido. Por isso significa: Todos os motivos esgotados.

OBAAKOFO MMU HOMEM

“Uma pessoa não governa uma nação” . Esse Kente expressa o sistema Akan de governança baseado na democracia participativa, lembrando também dos funcionários reais que ajudam os governantes a tomar decisões.

APREMO (Canon)

Resistência contra a dominação estrangeira, estratégia de guerra suprema. Ele simbolizava as estratégias de luta contra os europeus que utilizavam armas superiores às nações Akan.

WOFRO DUA PA A NA YEPIA WO

Esse padrão expressar o pensamento social Akan, que sustenta que qualquer bom esforço individual merece ser apoiado pela comunidade. Suas palavras significam "aquele que escala uma árvore que vale a pena subir recebe a ajuda merecida".

Esses são apenas alguns Kentes, existem inúmeros espalhados pela África. A produção histórica de uma época racista impediu que muitas pessoas reconhecessem a verdadeira magnitude da África e de seus filhos.

Fontes: 1, 2 e 3

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A doença que fazia os negros fugirem da escravidão

A sociedade branca na ciência já criou teorias racistas para afastar negros das condições intelectuais e biológicas das etnias brancas. Não bastasse a perversão que seus estudos carregavam para desumanizar os africanos, um deles ainda categorizou a fuga como problema mental.

As teorias racistas que hoje são chamadas de pseudo-ciência, eram aceitas pela ciência tradicional em todo o mundo até a década de 1930. Elas se proliferaram em todos os continentes dominados por europeus ou que já foram colônia européia.

Foram utilizadas para segregar e manter negros e ameríndios em posições inferiores da sociedade. Elas foram alimentadas, também, por dogmas e teologias que vinham de religiosos pró-escravidão. Eles a justificavam com o argumento de que “nem são tão humanos assim”.

Então havia um consenso geral que a escravidão era benéfica para o próprio negro, pois ele poderia evoluir da sua condição e aprender com a “civilização européia”. Trabalhando em troca de comida e um lugar para dormir. Nesse pensamento, fugir do cativeiro era coisa de lunático.

Foi o que concluiu Dr. Samuel A. Cartwright em 1851, médico americano que atuava no Mississippi e Louisiana. Ele publicou um artigo intitulado Relatório Sobre as Doenças e Peculiaridades Físicas da raça Negra” no New Orleans Medical and Surgical Journal.

No artigo ele categorizou duas novas doenças que eram especificamente condições de negros e descendentes. A primeira era a disestesia aethiopica, que deixava os negros preguiçosos em seu trabalho (seguindo o que eugenistas tradicionais já consideravam).

Para ele “Há uma insensibilidade parcial da pele, e uma letargia tão grande das faculdades intelectuais, como ser como uma pessoa meio adormecida, que está com dificuldade despertada e mantida desperta”.

A outra doença era Drapetomania, uma doença que levava o negro escravizado a querer fugir da sua condição natural. Em suas palavras “A causa na maioria dos casos que induz o negro a fugir do serviço é tanto uma doença da mente”.

Uma das provas que as religiões influenciaram fortemente as pdeuso-ciências racistas é que Cartwright citou a Bíblia cristã para defender seu ponto de vista. “se ele [o negro] o mantém na posição que aprendemos das Escrituras, ele deveria ocupar, isto é, a posição de submissão...”.

O médico sugere que os escravocratas obtivessem obediência plena: “De acordo com a minha experiência, o "genu flexit" - a admiração e reverência, deve ser exigido deles, ou eles desprezarão seus mestres, tornar-se-ão rudes e ingovernáveis, e fugirão.

Em nenhum momento ele considerou que os negros odiavam a escravidão e vários grupos em várias colônias do mundo organizaram insurreições, algumas que concluíram com a liberdade como foi o Palenque de São Basílio na Colômbia.

Além desse diagnóstico tenebroso, Samuel A. Cartwright propôs um remédio infalível para a doença que faz os negros fugirem. Segundo suas próprias palavras que são auto-explicativas

“Como uma medida preventiva contra a fuga, ou outra má conduta.” Era resolvido “chicoteando o diabo para fora deles.”

Fontes 1, 2 e 3