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Cientistas brasileiros: quem são e o que fizeram?

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia mostrou que 93% por cento dos entrevistados - jovens - não conseguiram citar um cientista brasileiro. O desconhecimento dos jovens sobre ciência fica claro quando questionados sobre temas importantes da atualidade.

Para 54% dos entrevistados os cientistas exageram ao falar dos efeitos das mudanças climáticas. Outros 40% não concordam que os humanos são a evolução de outros animais.

Além disso, a maior parte dos jovens brasileiros dizem que é difícil distinguir se uma notícia relacionada à ciência é verdadeira ou fake news. Em geral, para se informar sobre o assunto, os jovens alegam que usam o Google, o Youtube e o Facebook.

A pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia ouviu 2.200 jovens entre 15 e 24 anos em todo o Brasil.

Cientistas brasileiros: quem são e o que fizeram?

Carlos Chagas


Entre os cientistas brasileiros, Carlos Chagas é um dos mais importantes. O médico, que viveu entre 1879 e 1934, é relembrado como o cientista nacional que descobriu a doença de Chagas.

Ele foi muito importante para a pesquisa de doenças endêmicas, sendo que foi um dos médicos que ajudou a erradicar a Malária, além de estuda-la e e desvendar um pouco mais sobre ela.

Além disso tudo, ele foi professor e dirigiu o Departamento Nacional de Saúde Pública, com o intuito de erradicar o surto de gripe espanhola no país.

Duília de Mello

A astrônoma Duília de Mello hoje é a coordenadora do Ciência em Fronteiras em Washington, EUA, e também trabalha em alguns projetos da Agência Espacial Norte-Americana, a NASA. No Chile, em janeiro de 1997, ela descobriu e escreveu sobre a explosão da estrela supernova 1997D.

Em conjunto com Claudia Oliveira, em 2008, ela também descobriu as bolhas azuis, estrelas que nascem do lado de fora das galáxias em processo de colisão.

José Leite Lopes


José Leite Lopes foi fundamental para criação e consolidação da física teórica no Brasil. Participou de articulações para criar o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e outras instituições importantes, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 1940, iniciou sua formação em Física na Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro. Passou também pelo Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade de São Paulo (USP), onde aprofundou suas pesquisas. Em 1944, graças a uma bolsa do governo americano, Leite Lopes fez doutorado na Universidade de Princeton (EUA), onde iniciou seu trabalho de tese sob orientação de Wolfgang Pauli, prêmio Nobel de Física em 1945 e um dos fundadores da Mecânica Quântica. Na universidade, assistiu cursos ministrados por Einstein, Pauli e Reichenbach, entre outros.

Como pesquisador, destacou-se na área de física de partículas e trabalhou no problema da integração de forças fundamentais da natureza. Por muito pouco não chegou à teoria unificada das interações eletromagnéticas e fracas, que deu o prêmio Nobel a Steven Weinberg. Seu principal trabalho na área foi a previsão teórica de um novo tipo de partícula fundamental, o bóson vetorial.

Leite Lopes foi membro de diversas academias de ciências e recebeu vários convites para trabalhar no exterior. Aceitou, em 1970, o convite da Universidade de Strasbourg, onde ficou até 1985 quando foi convidado a dirigir a instituição que havia sido fundada por ele em 1949, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Além de trabalhos originais de pesquisa científica e de filosofia da física, publicou vários livros adotados internacionalmente.

Suzana Herculano-Houzel


Suzana Herculano-Houzel é uma neurocientista carioca que está a frente do Laboratório de Neuroanatomia Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nascida em 1972, você já deve a conhecer por suas palestras famosas na internet ou suas constantes participações na TV, para falar de neurologia.

Ela foi a primeira cientista brasileira a ser convidada a participar da conhecida mundialmente. Conferência TEDGlobal.

Sua maior marca na ciência foi a criação de uma forma de comparar o número de neurônios em cérebros de diferentes animais, usando o que ela chama de “sopa cerebral”. Sua outra maior descoberta foi uma pesquisa que concluiu que assar a comida foi o fator que levou os humanos a terem cérebros maiores.

Marcelo Gleiser


Marcelo Gleiser é um físico, astrônomo, professor e escritor brasileiro, conhecido nacionalmente e internacionalmente. Ele está sempre estudando e escrevendo sobre o embate entre duas visões de mundo: a religião e a ciência.

Em a “Criação Imperfeita”, um dos seus livros, ele argumenta que a crença de pesquisadores em algum sentido oculto no universo é uma contaminação da religião sobre a ciência, um ato de fé contra a racionalidade.

Para ele, precisamos parar de crer que a natureza e o universo são perfeitos, uma vez que a todo momento ele mostra evidências de sua assimetria e imperfeições.

Milton Santos

Milton Santos, que viveu entre 1926 e 2001, é um dos mais reconhecidos e importantes cientistas brasileiros. O geógrafo, que foi preso e exilado durante a ditadura militar, é uma referencia no Brasil e no mundo quando o assunto é geografia. Um dos seus artigos mais famosos foi publicado em 1960, o estudo “Mariana em Preto e Branco”.

Carlos Paz de Araújo

Carlos Paz de Araújo nasceu em Natal, em 1954, porém, estudou e se especializou nos Estados Unidos. Ele fez, inclusive, mestrado e doutorado nas Forças Áreas Americanas.

Hoje, ele possui cerca de quase 600 patentes em seu nome, sendo que a maioria delas está direcionada na área de nanotecnologia.

Oswaldo Cruz

Oswaldo Cruz foi um cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro – sim, tudo isso. Ele, que viveu entre 1872 e 1917, combateu o surto de peste bubônica que ocorria em Santos e em outras cidades portuárias brasileiras.

Além disso ele fundou o Instituto Soroterápico Nacional, no Rio de Janeiro, que depois passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz, que hoje mantém grande respeito pelo mundo inteiro.

Ele foi o responsável pelo fim de várias moléstias contagiosas, como varíola e febre amarela, além de ajudar a erradicar focos de inseto transmissores. Você deve conhece-lo pela revolta da Vacina, que levou a vacinação, e salvamento, de milhares de brasileiros.

Euryclides Zerbini

Formado em medicina pela Universidade de São Paulo, Euryclides Zerbini especializou-se em cirurgia geral, e mais tarde estudou cirurgia torácica, cardíaca e pulmonar nos EUA.

Em 1957, iniciou experiências para abertura do coração em animais, utilizando circulação extracorpórea. Na Universidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, foi colega do Dr. Christian Barnard, o primeiro cirurgião a realizar um transplante cardíaco.

Em 26 de maio de 1968, ele realizou no Hospital das Clínicas, em São Paulo, o primeiro transplante de coração da América Latina. O êxito do cirurgião trouxe para o Brasil a admiração e o respeito das outras nações, tornando o país um dos mais avançados centros de cirurgia cardiológica do mundo.

Professor da USP, criou o Centro de Ensino de Cirurgia Cardíaca, que se transformaria no Instituto do Coração (Incor) em 1975. Durante seus 58 anos de carreira, recebeu 125 títulos honoríficos e inúmeras homenagens de governos de todo o mundo, além de ter realizado mais de 40 mil cirurgias cardíacas, pessoalmente ou por meio de sua equipe.

Bartolomeu de Gusmão

Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi um sacerdote e inventor brasileiro. A mais famosa de suas experiências foi o primeiro balão construído no mundo. Ele apresentou sua obra no Palácio Real para o então Rei de Portugal, D. João V, em 1709.

Por falta de documentos históricos, é difícil saber como a invenção realmente ocorreu, mas crê-se que o padre, ao examinar o comportamento de uma chama, percebeu que o ar quente podia elevar pequenos objetos. Foi isso que o inspirou a projetar o primeiro aeróstato, um aparelho parecido com nosso balão de São João.

Nascido em Santos, o “padre voador” teve uma carreia conturbada. Foi perseguido pela Inquisição por ser amigo de judeus e teve que fugir para a Holanda, onde fez experiências com lentes. Mais tarde, seguiu para a França, onde vendia remédios fabricados por ele nas ruas. Formado em Direito, teve atuação nos tribunais, foi membro da Academia Real de História, cumpriu missões diplomáticas com o apoio do rei D. João V e até foi nomeado Secretário dos Estrangeiros.

Adolpho Lutz

Nascido no Rio de Janeiro, Adolpho Lutz foi levado aos dois anos de idade para a Suíça, terra de origem de seus pais. Formou-se em medicina pela Universidade de Berna, porém voltou ao Brasil aos 26 anos por escolha própria, para ajudar no seu país natal. Segundo ele, as condições de higiene da época agravavam o quadro da saúde pública brasileira.

Lutz atendia à população carente e viajava frequentemente à Europa para acompanhar as novidades dos centros científicos, trazendo-as para o Brasil Imperial. Ele combateu várias doenças importantes por aqui: febre amarela, varíola, peste bubônica, febre tifoide, cólera, malária e tuberculose.

Uma vitória importante em sua carreira foi identificar o mosquito Aedes aegypti como o transmissor do vírus causador da febre amarela. Ele mesmo e outros médicos foram cobaias para a experiência que comprovou o mecanismo de transmissão da moléstia.

Herch Moysés Nussenzveig

Bacharel e doutor em Física pela Universidade de São Paulo, Herch estudou na França, foi pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e atualmente é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Já ganhou diversos prêmios e homenagens, incluindo o Prêmio Max Born, outorgado pela Optical Society a cientistas que tenham dado contribuições significativas no campo da óptica em 1986, e uma condecoração da Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995.

Fez pesquisas em diferentes campos, incluindo teoria da difração, casualidade e relações de dispersão; propriedades analíticas de amplitudes de espalhamento; atraso temporal; teoria do laser e teoria do arco-íris e da auréola. É autor de vários livros didáticos, entre eles a coleção Curso de Física Básica, que recebeu o Prêmio Jabuti em 1999 na categoria Ciências Exatas, Tecnologia e Informática.

César Lattes

Um dos mais famosos cientistas brasileiros de todos os tempos, Cesare Mansueto Giulio Lattes revolucionou o estudo da física no país. Entre suas conquistas mais famosas, confirmou a existência da partícula conhecida como méson pi, responsável pelo comportamento das forças nucleares.

Com formação na USP, Lattes também trabalhou no Laboratório H. H. Wills, na Universidade de Bristol, onde fez a descoberta do méson. Em seguida, ficou conhecido internacionalmente e foi trabalhar em Berkeley, na Califórnia. Lá, identificou as trajetórias dos píons produzidos no acelerador de partículas da Universidade.

Outra grande contribuição de Lattes foi a idealização de um laboratório de Física Cósmica em La Paz, Bolívia, que se transformou em um centro científico internacional, abrigando pesquisadores de quase todos os continentes.

Lattes foi membro da Academia Brasileira de Ciências, da União Internacional de Física Pura e Aplicada, do Conselho Latino-Americano de Raios Cósmicos, das Sociedades Brasileira, Americana, Alemã, Italiana e Japonesa de Física, entre outras instituições. Também recebeu muitas homenagens e prêmios no Brasil e no exterior, incluindo o Prêmio Einstein, o Prêmio Fonseca Costa do CNPq e a Medalha Santos Dumont.

Santos Dumont

Desde pequeno, ele era fascinado pelo funcionamento das máquinas e, muito curioso, queria descobrir como tudo era feito. Era fascinado pelo céu e pela habilidade de voar. Na época dele, já existiam os balões, mas eles eram comandados pela vontade dos ventos. Assim, seus primeiros esforços científicos foram no sentido de fazer um balão que pudesse ser dirigido: o Dirigível.

Santos Dumont inventou o primeiro veículo aéreo que podia realmente ser conduzido por alguém. Mas sua conquista não para por aí. Ele queria fazer um objeto que fosse mais pesado que ar sair do chão. Foi assim que ele começou a inventar o 14 BIS.

Fontes 1, 2, 3 e 4