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Cientistas brasileiros: quem são e o que fizeram?

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia mostrou que 93% por cento dos entrevistados - jovens - não conseguiram citar um cientista brasileiro. O desconhecimento dos jovens sobre ciência fica claro quando questionados sobre temas importantes da atualidade.

Para 54% dos entrevistados os cientistas exageram ao falar dos efeitos das mudanças climáticas. Outros 40% não concordam que os humanos são a evolução de outros animais.

Além disso, a maior parte dos jovens brasileiros dizem que é difícil distinguir se uma notícia relacionada à ciência é verdadeira ou fake news. Em geral, para se informar sobre o assunto, os jovens alegam que usam o Google, o Youtube e o Facebook.

A pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia ouviu 2.200 jovens entre 15 e 24 anos em todo o Brasil.

Cientistas brasileiros: quem são e o que fizeram?

Carlos Chagas


Entre os cientistas brasileiros, Carlos Chagas é um dos mais importantes. O médico, que viveu entre 1879 e 1934, é relembrado como o cientista nacional que descobriu a doença de Chagas.

Ele foi muito importante para a pesquisa de doenças endêmicas, sendo que foi um dos médicos que ajudou a erradicar a Malária, além de estuda-la e e desvendar um pouco mais sobre ela.

Além disso tudo, ele foi professor e dirigiu o Departamento Nacional de Saúde Pública, com o intuito de erradicar o surto de gripe espanhola no país.

Duília de Mello

A astrônoma Duília de Mello hoje é a coordenadora do Ciência em Fronteiras em Washington, EUA, e também trabalha em alguns projetos da Agência Espacial Norte-Americana, a NASA. No Chile, em janeiro de 1997, ela descobriu e escreveu sobre a explosão da estrela supernova 1997D.

Em conjunto com Claudia Oliveira, em 2008, ela também descobriu as bolhas azuis, estrelas que nascem do lado de fora das galáxias em processo de colisão.

José Leite Lopes


José Leite Lopes foi fundamental para criação e consolidação da física teórica no Brasil. Participou de articulações para criar o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e outras instituições importantes, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 1940, iniciou sua formação em Física na Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro. Passou também pelo Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade de São Paulo (USP), onde aprofundou suas pesquisas. Em 1944, graças a uma bolsa do governo americano, Leite Lopes fez doutorado na Universidade de Princeton (EUA), onde iniciou seu trabalho de tese sob orientação de Wolfgang Pauli, prêmio Nobel de Física em 1945 e um dos fundadores da Mecânica Quântica. Na universidade, assistiu cursos ministrados por Einstein, Pauli e Reichenbach, entre outros.

Como pesquisador, destacou-se na área de física de partículas e trabalhou no problema da integração de forças fundamentais da natureza. Por muito pouco não chegou à teoria unificada das interações eletromagnéticas e fracas, que deu o prêmio Nobel a Steven Weinberg. Seu principal trabalho na área foi a previsão teórica de um novo tipo de partícula fundamental, o bóson vetorial.

Leite Lopes foi membro de diversas academias de ciências e recebeu vários convites para trabalhar no exterior. Aceitou, em 1970, o convite da Universidade de Strasbourg, onde ficou até 1985 quando foi convidado a dirigir a instituição que havia sido fundada por ele em 1949, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Além de trabalhos originais de pesquisa científica e de filosofia da física, publicou vários livros adotados internacionalmente.

Suzana Herculano-Houzel


Suzana Herculano-Houzel é uma neurocientista carioca que está a frente do Laboratório de Neuroanatomia Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nascida em 1972, você já deve a conhecer por suas palestras famosas na internet ou suas constantes participações na TV, para falar de neurologia.

Ela foi a primeira cientista brasileira a ser convidada a participar da conhecida mundialmente. Conferência TEDGlobal.

Sua maior marca na ciência foi a criação de uma forma de comparar o número de neurônios em cérebros de diferentes animais, usando o que ela chama de “sopa cerebral”. Sua outra maior descoberta foi uma pesquisa que concluiu que assar a comida foi o fator que levou os humanos a terem cérebros maiores.

Marcelo Gleiser


Marcelo Gleiser é um físico, astrônomo, professor e escritor brasileiro, conhecido nacionalmente e internacionalmente. Ele está sempre estudando e escrevendo sobre o embate entre duas visões de mundo: a religião e a ciência.

Em a “Criação Imperfeita”, um dos seus livros, ele argumenta que a crença de pesquisadores em algum sentido oculto no universo é uma contaminação da religião sobre a ciência, um ato de fé contra a racionalidade.

Para ele, precisamos parar de crer que a natureza e o universo são perfeitos, uma vez que a todo momento ele mostra evidências de sua assimetria e imperfeições.

Milton Santos

Milton Santos, que viveu entre 1926 e 2001, é um dos mais reconhecidos e importantes cientistas brasileiros. O geógrafo, que foi preso e exilado durante a ditadura militar, é uma referencia no Brasil e no mundo quando o assunto é geografia. Um dos seus artigos mais famosos foi publicado em 1960, o estudo “Mariana em Preto e Branco”.

Carlos Paz de Araújo

Carlos Paz de Araújo nasceu em Natal, em 1954, porém, estudou e se especializou nos Estados Unidos. Ele fez, inclusive, mestrado e doutorado nas Forças Áreas Americanas.

Hoje, ele possui cerca de quase 600 patentes em seu nome, sendo que a maioria delas está direcionada na área de nanotecnologia.

Oswaldo Cruz

Oswaldo Cruz foi um cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro – sim, tudo isso. Ele, que viveu entre 1872 e 1917, combateu o surto de peste bubônica que ocorria em Santos e em outras cidades portuárias brasileiras.

Além disso ele fundou o Instituto Soroterápico Nacional, no Rio de Janeiro, que depois passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz, que hoje mantém grande respeito pelo mundo inteiro.

Ele foi o responsável pelo fim de várias moléstias contagiosas, como varíola e febre amarela, além de ajudar a erradicar focos de inseto transmissores. Você deve conhece-lo pela revolta da Vacina, que levou a vacinação, e salvamento, de milhares de brasileiros.

Euryclides Zerbini

Formado em medicina pela Universidade de São Paulo, Euryclides Zerbini especializou-se em cirurgia geral, e mais tarde estudou cirurgia torácica, cardíaca e pulmonar nos EUA.

Em 1957, iniciou experiências para abertura do coração em animais, utilizando circulação extracorpórea. Na Universidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, foi colega do Dr. Christian Barnard, o primeiro cirurgião a realizar um transplante cardíaco.

Em 26 de maio de 1968, ele realizou no Hospital das Clínicas, em São Paulo, o primeiro transplante de coração da América Latina. O êxito do cirurgião trouxe para o Brasil a admiração e o respeito das outras nações, tornando o país um dos mais avançados centros de cirurgia cardiológica do mundo.

Professor da USP, criou o Centro de Ensino de Cirurgia Cardíaca, que se transformaria no Instituto do Coração (Incor) em 1975. Durante seus 58 anos de carreira, recebeu 125 títulos honoríficos e inúmeras homenagens de governos de todo o mundo, além de ter realizado mais de 40 mil cirurgias cardíacas, pessoalmente ou por meio de sua equipe.

Bartolomeu de Gusmão

Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi um sacerdote e inventor brasileiro. A mais famosa de suas experiências foi o primeiro balão construído no mundo. Ele apresentou sua obra no Palácio Real para o então Rei de Portugal, D. João V, em 1709.

Por falta de documentos históricos, é difícil saber como a invenção realmente ocorreu, mas crê-se que o padre, ao examinar o comportamento de uma chama, percebeu que o ar quente podia elevar pequenos objetos. Foi isso que o inspirou a projetar o primeiro aeróstato, um aparelho parecido com nosso balão de São João.

Nascido em Santos, o “padre voador” teve uma carreia conturbada. Foi perseguido pela Inquisição por ser amigo de judeus e teve que fugir para a Holanda, onde fez experiências com lentes. Mais tarde, seguiu para a França, onde vendia remédios fabricados por ele nas ruas. Formado em Direito, teve atuação nos tribunais, foi membro da Academia Real de História, cumpriu missões diplomáticas com o apoio do rei D. João V e até foi nomeado Secretário dos Estrangeiros.

Adolpho Lutz

Nascido no Rio de Janeiro, Adolpho Lutz foi levado aos dois anos de idade para a Suíça, terra de origem de seus pais. Formou-se em medicina pela Universidade de Berna, porém voltou ao Brasil aos 26 anos por escolha própria, para ajudar no seu país natal. Segundo ele, as condições de higiene da época agravavam o quadro da saúde pública brasileira.

Lutz atendia à população carente e viajava frequentemente à Europa para acompanhar as novidades dos centros científicos, trazendo-as para o Brasil Imperial. Ele combateu várias doenças importantes por aqui: febre amarela, varíola, peste bubônica, febre tifoide, cólera, malária e tuberculose.

Uma vitória importante em sua carreira foi identificar o mosquito Aedes aegypti como o transmissor do vírus causador da febre amarela. Ele mesmo e outros médicos foram cobaias para a experiência que comprovou o mecanismo de transmissão da moléstia.

Herch Moysés Nussenzveig

Bacharel e doutor em Física pela Universidade de São Paulo, Herch estudou na França, foi pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e atualmente é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Já ganhou diversos prêmios e homenagens, incluindo o Prêmio Max Born, outorgado pela Optical Society a cientistas que tenham dado contribuições significativas no campo da óptica em 1986, e uma condecoração da Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995.

Fez pesquisas em diferentes campos, incluindo teoria da difração, casualidade e relações de dispersão; propriedades analíticas de amplitudes de espalhamento; atraso temporal; teoria do laser e teoria do arco-íris e da auréola. É autor de vários livros didáticos, entre eles a coleção Curso de Física Básica, que recebeu o Prêmio Jabuti em 1999 na categoria Ciências Exatas, Tecnologia e Informática.

César Lattes

Um dos mais famosos cientistas brasileiros de todos os tempos, Cesare Mansueto Giulio Lattes revolucionou o estudo da física no país. Entre suas conquistas mais famosas, confirmou a existência da partícula conhecida como méson pi, responsável pelo comportamento das forças nucleares.

Com formação na USP, Lattes também trabalhou no Laboratório H. H. Wills, na Universidade de Bristol, onde fez a descoberta do méson. Em seguida, ficou conhecido internacionalmente e foi trabalhar em Berkeley, na Califórnia. Lá, identificou as trajetórias dos píons produzidos no acelerador de partículas da Universidade.

Outra grande contribuição de Lattes foi a idealização de um laboratório de Física Cósmica em La Paz, Bolívia, que se transformou em um centro científico internacional, abrigando pesquisadores de quase todos os continentes.

Lattes foi membro da Academia Brasileira de Ciências, da União Internacional de Física Pura e Aplicada, do Conselho Latino-Americano de Raios Cósmicos, das Sociedades Brasileira, Americana, Alemã, Italiana e Japonesa de Física, entre outras instituições. Também recebeu muitas homenagens e prêmios no Brasil e no exterior, incluindo o Prêmio Einstein, o Prêmio Fonseca Costa do CNPq e a Medalha Santos Dumont.

Santos Dumont

Desde pequeno, ele era fascinado pelo funcionamento das máquinas e, muito curioso, queria descobrir como tudo era feito. Era fascinado pelo céu e pela habilidade de voar. Na época dele, já existiam os balões, mas eles eram comandados pela vontade dos ventos. Assim, seus primeiros esforços científicos foram no sentido de fazer um balão que pudesse ser dirigido: o Dirigível.

Santos Dumont inventou o primeiro veículo aéreo que podia realmente ser conduzido por alguém. Mas sua conquista não para por aí. Ele queria fazer um objeto que fosse mais pesado que ar sair do chão. Foi assim que ele começou a inventar o 14 BIS.

Fontes 1, 2, 3 e 4

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Philbert Noyce é um dos únicos trabalhadores humanos em uma linha de produção completamente automatizada, existe uma certa harmonia na sua vida que foi destruída quando ele cometeu um erro grave em seu tempo: se importar com os outros.

Tudo começou quando um corpo foi encontrado pendurado em um poste de luz, a população estava ignorando este fato, de uma forma bem distante e fria. É uma hipérbole do comportamento presente em metrópoles do nosso mundo. São Paulo não é chamada de “Selva de Pedra” a toa.

Até aí é só mais um, não era conhecido, nem da família. Era “os outros” e ninguém se importa com eles, mas vida de Noyce muda quando ele percebe em um discurso de uma política incentivando a violência, em uma fração de segundos ela diz na TV "matar todos os outros".

Qualquer político que tenha um discurso de ódio e violência, mesmo que indireto, deveria receber o escrutínio social pelo seu caráter. Mas não foi o que aconteceu, à medida que Philbert se preocupava com a mensagem direcionada aos “outros”, ela aparecia com mais frequência

Sem saber quem são esses outros, ele se viu em dificuldades. Aparentemente teve um surto psicótico em um episódio nos trilhos do trem e precisou de uma avaliação psicológica. Sua mulher e seus amigos não se importavam com o que estava acontecendo.

A crítica contra a inércia da sociedade e sua falta de empatia com pessoas diferentes é muito evidente. A tensão aumentava quanto mais aquele homem se importava com quem não conhecia, afinal, em nenhum momento a história nos revelou quem eram os outros

Não vou dar spoilers para quem não assistiu, esse é um dos episódios da série Electric Dreams, a série de Ficção Científica inspirada na obra de Philip K. Dick's, conhecido também com PKD

O autor é muito conhecido por obras que trazem temas relacionados a política, autoritarismo, realidades misturadas e até misticismo para construir universos futuristas. Esse episódio em questão se chama “Kill all others” e foi inspirado no conto “The Hanging Stranger”

Ele reflete muito o olhar humanista e sensível que a produção de #scifi tem para as relações humanas. Sem um contexto profundo e uma boa discussão, essas histórias não passariam de cascas cheias de robôs, wifi e raios lasers cortando o espaço.

Não tive como deixar de correlacionar o episódio com os momentos que vivemos em nosso cenário mundial, com o aumento de uma intransigência, uma caçada quixotesca a inimigos que nunca existiram mas que são identificados simplesmente como “os outros”

A ironia é que, por mais que os mitos criados por autores de ficção ou por líderes religiosos e políticos não consigam identificar exatamente que são esses outros, é possível identificar o grupo que sente-se elevado, sublime e superior.

Se proclamam cidadãos de bem, defensores da lei e da ordem e querem manter a harmonia das coisas. Dentro esses sistemas, se preocupar com quem é diferente pode realmente ser um perigo e instigar o ódio de entidades poderosas. Ter empatia é começar uma verdadeira revolução

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As armas de fogo podem ajudar mulheres a se protegerem da violência doméstica?

Não há quem não tenha se chocado com o caso da paisagista Elaine Caparróz, de 55 anos, que quase foi assassinada pelo estagiário de direito Vinícius Batista Serra.


Eles se conheceram pela internet e o relacionamento virtual já durava 8 meses. Os dois se seguiam nas redes sociais e até tinham amigos em comum. Por isso, a vítima se sentiu segura para convidá-lo para um jantar em no seu apartamento, na Barra da Tijuca, RJ.

A vítima relatou que o agressor pediu para dormir com ela, que acordou no meio da noite aos murros, mordidas e xingamentos.

Depois de ser torturada por cerca de 4 horas, Elaine foi internada na UTI em estado grave, e terá que passar por várias cirurgias por causa das fraturas, além de trauma no pulmão e nos rins.

Há fortes indícios de que o crime foi premeditado, já que ao entrar no prédio de Eliane, Vinícius se cadastrou na recepção com um nome falso, Felipe.

Sempre que casos de violência contra a mulher vêm à tona, é comum que os defensores da flexibilização das armas de fogo usem como argumento que, a solução seria armar a vítima.

Um exemplo é o comentário abaixo, que ignora o fato de que a vítima estava dormindo quando foi atacada. Mesmo que houvesse uma arma ali, Elaine não teria a oportunidade de usar.

Eu não sou o único que discorda deste tweet do Carlos Bolsonaro. Além de uma série de especialistas em segurança pública e defensores de direitos humanos, há uma discordante que não costuma estar errada: a matemática.

Pesquisadores do VPC, Centro de Políticas de Violência, na sigla em inglês, analisaram dados do FBI e descobriram que as mulheres têm 100 vezes mais chances de serem mortas por um homem armado do que usar uma arma de fogo em legítima defesa.

O levantamento descobriu que houveram 328 homicídios justificáveis cometidos por cidadãos privados naquele ano, mas apenas 16 envolviam uma mulher matando um homem com arma de fogo. Por outro lado, houveram 1.686 casos em que uma mulher foi assassinada por um homem armado.

E antes que a bancada da bala traga seus questionamentos, é importante ressaltar que os dados são referentes a apenas incidentes de vítima única e de ofensor único - ou seja - excluem tiroteios em massa.

Além disso, 93% das vítimas femininas foram assassinadas por homens que elas conheciam, sendo que 64% delas, eram esposas ou “conhecidas íntimas” dos assassinos.

Ah, isso não inclui ex-namoradas, pois o FBI não divulga essas informações. Significa que os números poderiam ser ainda mais graves.

Os defensores das armas de fogo podem argumentar que esse estudo só contabilizou homicídios justificáveis, mas ignorou casos onde a mulher usou a arma para se defender sem matar o cara, ou quando ela só usou a arma para ameaçar e nem chegou a atirar no agressor.

Verdade. Mas por outro lado, o estudo também não conta as mulheres que não chegam a ser assassinadas, mas são feridas ou intimidadas por homens com armas na mão.

Outros estudos citados no levantamento do VPC, reforçam que EUA está longe de ser referência no combate ao feminicídio praticado com arma de fogo.

Em 1997, o Archives of Internal Medicine analisou fatores de risco para morte violenta de mulheres em sua própria casa, e descobriu que a presença de uma arma no imóvel, triplica as chances de morte seguida de violência.

Já um levantamento feito por Harvard em 2002, mostrou que a população feminina dos EUA representava apenas 32% das mulheres em 25 países de alta renda, mas era responsável por 84% dos homicídios de mulheres por arma de fogo.

Um dos autores desse outro estudo de Harvard, o Dr. David Hemenway, concluiu que “a diferença nas taxas de vitimização de homicídio feminino entre os EUA e esses outros países industrializados é muito grande e está intimamente ligada aos níveis de posse de armas.”

Em outras palavras, não pode ser explicada por diferenças na urbanização ou desigualdade social e de renda.

É muito interessante observar que os dados vêm dos EUA, país corriqueiramente citado pelos defensores de armas como bom exemplo de política armamentista.

Com base nessas informações, podemos afirmar que a resposta para a pergunta feita no título deste post é não.

Você pode ler a íntegra do levantamento do VPC aqui (em inglês).

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A doença que fazia os negros fugirem da escravidão

A sociedade branca na ciência já criou teorias racistas para afastar negros das condições intelectuais e biológicas das etnias brancas. Não bastasse a perversão que seus estudos carregavam para desumanizar os africanos, um deles ainda categorizou a fuga como problema mental.

As teorias racistas que hoje são chamadas de pseudo-ciência, eram aceitas pela ciência tradicional em todo o mundo até a década de 1930. Elas se proliferaram em todos os continentes dominados por europeus ou que já foram colônia européia.

Foram utilizadas para segregar e manter negros e ameríndios em posições inferiores da sociedade. Elas foram alimentadas, também, por dogmas e teologias que vinham de religiosos pró-escravidão. Eles a justificavam com o argumento de que “nem são tão humanos assim”.

Então havia um consenso geral que a escravidão era benéfica para o próprio negro, pois ele poderia evoluir da sua condição e aprender com a “civilização européia”. Trabalhando em troca de comida e um lugar para dormir. Nesse pensamento, fugir do cativeiro era coisa de lunático.

Foi o que concluiu Dr. Samuel A. Cartwright em 1851, médico americano que atuava no Mississippi e Louisiana. Ele publicou um artigo intitulado Relatório Sobre as Doenças e Peculiaridades Físicas da raça Negra” no New Orleans Medical and Surgical Journal.

No artigo ele categorizou duas novas doenças que eram especificamente condições de negros e descendentes. A primeira era a disestesia aethiopica, que deixava os negros preguiçosos em seu trabalho (seguindo o que eugenistas tradicionais já consideravam).

Para ele “Há uma insensibilidade parcial da pele, e uma letargia tão grande das faculdades intelectuais, como ser como uma pessoa meio adormecida, que está com dificuldade despertada e mantida desperta”.

A outra doença era Drapetomania, uma doença que levava o negro escravizado a querer fugir da sua condição natural. Em suas palavras “A causa na maioria dos casos que induz o negro a fugir do serviço é tanto uma doença da mente”.

Uma das provas que as religiões influenciaram fortemente as pdeuso-ciências racistas é que Cartwright citou a Bíblia cristã para defender seu ponto de vista. “se ele [o negro] o mantém na posição que aprendemos das Escrituras, ele deveria ocupar, isto é, a posição de submissão...”.

O médico sugere que os escravocratas obtivessem obediência plena: “De acordo com a minha experiência, o "genu flexit" - a admiração e reverência, deve ser exigido deles, ou eles desprezarão seus mestres, tornar-se-ão rudes e ingovernáveis, e fugirão.

Em nenhum momento ele considerou que os negros odiavam a escravidão e vários grupos em várias colônias do mundo organizaram insurreições, algumas que concluíram com a liberdade como foi o Palenque de São Basílio na Colômbia.

Além desse diagnóstico tenebroso, Samuel A. Cartwright propôs um remédio infalível para a doença que faz os negros fugirem. Segundo suas próprias palavras que são auto-explicativas

“Como uma medida preventiva contra a fuga, ou outra má conduta.” Era resolvido “chicoteando o diabo para fora deles.”

Fontes 1, 2 e 3

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Sistema ou regime político e filosófico, antiliberal, imperialista e antidemocrático, centrado em um governo de caráter autoritário, representado pela existência de um partido único e pela figura de um ditador, fundado na ideologia de exaltação dos valores da raça e da nação em detrimento do individualismo, como o estabelecido na Itália por Benito Mussolini (1883-1945), em 1922, cujo emblema era, simbolicamente, o fascio, isto é, o feixe de varas dos lictores romanos.

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Intervenção militar é um ato caracterizado pela tomada do poder de um país por suas forças armadas em um golpe de Estado, instaurando um regime de ditadura militar. Geralmente é decretado um estado de exceção, regido segundo a lei marcial, sendo formada uma junta militar encabeçada por qualquer das armas, que nomeia um novo presidente (sempre um militar de alta patente) e seus sucessores.

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URSAL (acrônimo para União das Republiquetas Socialistas da América Latina ou União das Repúblicas Socialistas da América Latina) é um termo criado em tom jocoso pela socióloga brasileira Maria Lúcia Victor Barbosa, em 2001, para ironizar as críticas feitas por políticos e intelectuais de esquerda à Área de Livre Comércio das Américas, liderada pelos Estados Unidos. Posteriormente a expressão foi tomada a sério por Olavo de Carvalho e por eleitores da extrema-direita brasileira, ressurgindo no YouTube e em outras mídias como uma teoria da conspiração relacionada a um suposto plano de integração latino-americana engendrado pelo Foro de São Paulo.

Em tom de denúncia, o acrônimo foi retomado em 2018, pelo deputado federal e candidato à presidência, Cabo Daciolo, em referência a uma conspiração em curso para acabar com as soberanias nacionais no continente. Daciolo referiu-se à URSAL quando interrogou Ciro Gomes durante o primeiro debate entre candidatos da eleição presidencial brasileira de 2018, veiculado pela TV Band em 9 de agosto. Segundo ele, a URSAL seria uma federação de países da América Latina e do Caribe com características de um grande bloco de repúblicas socialistas. Na sequência o episódio repercutiu na imprensa brasileira e estrangeira, e ensejou numerosas manifestações nas redes sociais, sobretudo em tom de deboche.

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