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Um homem atual tem menos férias que um camponês medieval

A vida de um camponês medieval não era fácil: fome, doenças e guerras eram ameaças constantes. A dieta e higiene pessoal à época também deixavam a desejar. Mas um aspecto da vida medieval era invejável: as férias. Um camponês desfrutava de 8 semanas a 180 dias livre. Para evitar a rebelião dos camponeses, a Igreja impôs feriados obrigatórios. Casamentos, velórios e nascimentos causavam até uma semana de festejos. Havia domingos sem trabalho e eventos esportivos geravam folga. Quando a lavoura e colheita terminavam, havia descanso.

Segundo a economista Juliet Shor, durante períodos de salários altos, como a Inglaterra do século XIV, os camponeses não trabalhavam mais de 150 dias por ano. E trabalhador atual? Depois de um ano no trabalho, ele tem 11 dias de feriado por ano, mais os 30 dias de férias. Isso é diferente do que economistas do passado previram. Keynes apostava que, até 2030, as sociedades seriam ricas o suficiente para termos mais tempo de lazer do que de trabalho. Mas há quem comemore as 40h semanais atuais contra as 80h do século XIX.

Volte 400 anos no tempo e você verá que a maioria das pessoas não trabalhou muito. O ritmo de vida era mais lento e o trabalho, menos estressante. Além de relaxar durante as férias prolongadas, o camponês medieval comia calmamente e tinha tempo para uma soneca após o almoço. Alguns culpam o trabalhador por não lutar por direitos. Em tempos de precarização do trabalho, não há opção senão aceitar as condições impostas pelo empregador. Com isso, emprego fixo, férias e aposentadoria podem virar apenas lembranças num futuro não muito distante.

Crises econômicas fazem os defensores da austeridade quererem cortar as folgas. O culto ao trabalho constante guarda uma ironia: excesso de trabalho reduz a produtividade. Por outro lado, o desempenho aumenta após as férias. Segundo a OCDE, os gregos, cuja economia é a pior da Europa, trabalham mais horas do que qualquer outro europeu. Já os alemães, com a economia mais rica, ocupam o penúltimo lugar em horas trabalhadas.

Menos folgas prejudicam nossa saúde e relacionamentos. O economista Robert Reich, defende uma semana útil de 3 dias. Havia um projeto de lei no Congresso dos EUA sobre o tema. Só os parlamentares gozam de uma vida medieval, pelo visto: eles ficam mais de 200 dias em férias.

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