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Geledés, uma das expressões do matriarcado africano

Após a colonização, a cultura patriarcal europeia invadiu todas as outras culturas e por isso muitas pessoas não conseguem conceber como as sociedades africanas valorizam o poder feminino. Nesse artigo vamos conhecer uma das mais lindas expressões do matriarcado, Gelede.

Iorubás ou Nagôs são nomes que correspondem a uma das maiores e mais antigas etnias da África. Após o século XVII foram trazidos em massa para o Brasil, através da Costa da Mina e desembarcavam na Bahia, que hoje mantém uma das maiores comunidades iorubás do mundo.

Eles mantém uma tradição muito significativa em relação ao poder das mulheres dentro de sua organização. Eles acreditam que a continuidade da humanidade depende principalmente das mães e que o poder que elas detém sobre a vida é igual, algumas, maior que o dos próprios orixás.

Além do seu papel como progenitoras, mulheres são responsáveis por movimentar a economia do povo iorubá. De uma forma que elas tendem a enriquecer muito mais que os homens, são totalmente independentes economicamente e reconhecidas por isso com status social.

As trocas e vendas aconteciam em lugares distantes. Essas mulheres deixavam sua família, seguiam com suas mercadorias para negociarem e retornarem com mais proventos. Quando o cônjuge tinha mercadorias, elas eram compradas pelas suas mulheres antes de levarem às feiras.

Sacerdotisas anciãs têm um significado magnífico, são chamadas de awon iya wa, “nossas mães”, seus poderes são comparáveis aos dos orixás, espíritos e ancestrais. Sua longevidade sugere um poder místico e um conhecimento secreto, capaz de destruir toda a sociedade ou trabalhar em benefício dela.

A fim de valorizar o divino feminino e o poder das grandes mães a comunidade iorubá-nagô celebra o Geledés, que acontece após as colheitas ou em eventos marcantes como a seca ou epidemias. Também acontece para recrutar forças espirituais em tempos de guerra.

Homens usam máscaras femininas, cantam e dançam de forma bastante humorada para homenagear as grandes mães - isso também é uma forma de apaziguar o temperamento delas, evitando que usem como uma aje. Esse é o nome que recebem se manifestam sua dimensão destrutiva.

Os trajes e máscaras representam a importância da mulher na economia Iorubá, alguns as representam em suas negociações pelas feiras. Vendedoras de tapetes, tecidos e farinha de milho aparecem frequentemente. As variações de penteados também são compreendidas nas máscaras.

As performances em Geledés formam um tipo de um apelo às forças do mundo usando o poder estético de máscaras, fantasias, músicas, canções e danças para evocar e comentar questões sociais e espirituais, ajudando a moldar a sociedade à partir do poder feminino sobre a vida.

Uma das origens dessa tradição fala de Iemanjá: Sem poder ter filhos, a rainha do mar consultou um oráculo que indicou oferecer sacrifícios e dançar com imagens de madeira em sua cabeça e tornozeleiras de metal em seus pés. Após o ritual engravidou e sua filha se chamou Gelede.

A crença no poder das grandes mães é representado em um famoso dito, orixá igual mãe não existe, orixá igual mãe é raro, mãe é ouro, pai é espelho. Ainda segundo a crença as mães são donas do mundo e a sociedade formam seus filhos.

O festival nigeriano é considerado patrimônio oral e imaterial da humanidade pela Unesco. As tradições originais ainda são mantidas no Brasil através dos terreiros espalhado no país. Através deles o apreço pelas grandes mães impactou parte da cultura brasileira contemporânea.

Fontes: 1, 2, 3 e 4

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