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Como grupos supremacistas mantém os ideais que levaram ao Apartheid na África do Sul

Muitos já leram sobre atrocidades cometidas por supremacistas brancos na África do Sul. Através do Apartheid condenaram a população negra à violência e pobreza, mas muita gente desconhece o fato que um desses grupos ainda resiste no país e tem planos para evacuação em massa.

A história desse grupo, chamado Suidlanders, começa com o seu Profeta Niklaas Van Rensburg, um boer que é equivalente a um descendente de colono holandês e agricultor. Aos 16 anos ele lutou contra o chefe do povo Nbele, Mabhogo. Aos 21 virou um profeta cheio de alucinações.

Profeta Niklaas Van Rensburg

Aliás, foi eleito profeta da NHK, a Igreja Reformada Holandesa na África do Sul. A mesma igreja evangélica calvinista que pressionou o governo a instituir as leis de segregação que foram oficializadas em 1948 - chegaram a ter seguidores somando 40% da população branca do país.

Rensburg foi requisitado para lutar na segunda Guerra Anglo-Boer, essas guerras uma disputa que acontecia entre o Império Britânico e os estados dos bôeres que eram apoiados principalmente por imigrantes da Alemanha e Suécia-Noruega.

Mas, adivinhem, o profeta recebeu uma visão que seu trabalho seria devotado a Deus. Ele passou a escrever profecias sobre a guerra, em um número absurdo jogando contra a probabilidade. Algumas foram acertadas, esse fato contribuiu para aumentar sua reputação.

Quando veio a primeira guerra mundial, Van Rensburg ficou do lado dos rebeldes aliados da Alemanha, a maioria foi preso, assim como o profeta supremacista. Após vários anos na prisão suas visões começaram a ser registradas pelo reverendo Dr. Rossouw e sua filha Anna Badenhorst.

Ao todo foram 700 registros de profecias que inspiraram governos e partidos. Van Rensburg foi conselheiro do presidente Martinus Theunis Steyn, o último presidente do Estado Livre de Orange. Grande parte misturava misticismo, nacionalismo e o tradicional racismo dos colonizadores.

Martinus Theunis Steyn

Os supremacistas boer sempre foram um grupo expressivo no país e seus fundamentos levam o grupo a cometer atos violentos e ao mesmo tempo ridículos, como aconteceu no dia 13 de setembro de 2002.

Vários indivíduos viajaram até Alexandra, Joanesburgo, com a intenção de derrubar o governo pós-Apartheid, matar e expulsar todas as pessoas negras do continente. Eles lotaram carros de gasolina e bombas de cilindros que somaram 1.500 Quilos de explosivos.

O julgamento durou 10 anos e culminou na sentença máxima para os 20 integrantes da milícia. Eles chegaram a espalhar bombas em estradas que Nelson Mandela iria passar, mas que por ventura precisou mudar a rota. Eles assumiram alguns ataques por email ao jornal "Beeld".

Os guerreiros da nação boer, também haviam plantado as bombas que mataram uma mulher e feriram o marido em Outubro de 2001."Declaramos que esses ataques são o começo do fim para o governo do Congresso Nacional Africano (ANC) e aceitamos total responsabilidade por isso".

Após 2006 militantes dessa nação boer fundaram os Suidlanders e começaram uma turnê mundial para espalhar suas ideias e consolidar acordos diplomáticos, preparando as rotas de fuga de uma iminente guerra racial - enviaram uma proposta para o ministro do governo australiano.

O jornalista David Farrier acompanhou a rotina de um grupo Suidlander na primeira temporada do seriado Turismo Macabro e pôde presenciar que eles fazem exercícios de evacuação e se preparam para uma guerra mundial que poderia levar ao “genocídio branco”.

Esse genocídio aconteceria segundo uma das visões do Van Rensburg, onde os negros iria causar um tipo de apocalipse se revoltando contra todos e destruindo o país com terrorismo e fúria. Toda a família vive em um regime sobrevivencialista. Esperando pela guerra a qualquer segundo.

A campanha mundial que os supremacistas começaram foi capaz de influenciar jornalistas americanos com a falácia do possível genocídio branco que está acontecendo.

A existência de grupos como esse nos tempos de hoje parecem verdadeiros absurdos, mas eles ainda estão por aí, utilizando desculpas como a defesa das tradições e dos bons costumes para promoverem o ódio. Infelizmente os Suidlanders não são os únicos supremacistas vivos no mundo.

Fontes: 1, 2, 3, 4 e 5

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