Geral
O impacto de 13 Reasons Why na visão de jovens brasileiros sobre o suicídio

Lançada pela Netflix em março de 2017, a série 13 Reasons Why provocou debates na imprensa e na área médica sobre os possíveis efeitos de uma representação ficcional do suicídio em uma audiência predominantemente jovem.

Na série, a protagonista Hannah Baker grava áudios para seus colegas explicando porque tirou a própria vida - o bullying sofrido, a principal delas. Desde então, especialistas em saúde mental temem que jovens que assistem ao seriado imitem a personagem, por uma glamourização do ato.

Estudo da UFRGS analisou os impactos da série no Brasil. O fenômeno de reprodução suicida é conhecido como "efeito Werther" - referência à obra Os sofrimentos do jovem Werther, do escritor alemão Johann Goethe, que teria provocado um aumento nos suicídios após sua publicação, no século XVIII.

Na época, os jovens eram encontrados sem vida vestidos como o personagem ou com um exemplar do livro em mãos. No caso de 13 Reasons Why, somam-se ainda questões atuais. Nas últimas décadas, o suicídio tem se firmado como a terceira causa de morte entre adolescentes no Brasil.

Realizado por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o estudo analisou respostas de 21.062 adolescentes para entender até que ponto a série pode ter influenciado o pensamento e o comportamento dos consultados.

No levantamento UFRGS, adolescentes do Brasil e dos EUA com idades entre 12 e 19 anos, foram questionados sobre ideação suicida antes e depois de assistir aos episódios - e também sobre a forma como passaram a encarar o bullying após acompanhar a história de Hannah Baker.

Entre os adolescentes sem sintomas de depressão ou pensamentos suicidas antes de ver a série, 4,7% responderam ter passado a pensar mais em tirar a própria vida, um número considerado "preocupante" pelos autores do estudo.

Naqueles mais vulneráveis - depressivos que já cogitaram o suicídio anteriormente - o aumento foi ainda mais expressivo: 21,6% tiveram mais ideação suicida após 13 Reasons Why. Por outro lado, nesse mesmo grupo, 49,5% disseram ter menos pensamentos suicidas após ver a série.

Outro resultado que chamou atenção dos pesquisadores foi o impacto sobre o bullying. Dos mais de 21 mil adolescentes, 41,3% disseram já haver praticado bullying. Mas depois de ver 13 Reasons Why, 90,1% deles afirmaram ter passado a fazer menos bullying.

"O estudo indicou que os efeitos da série são predominantemente positivos, especialmente na questão do bullying. Mas os 4,7% das pessoas que não tinham histórico de depressão e que passaram a pensar em suicídio nos preocupou”, diz Cristian Kileing, coordenador do estudo".

O suicídio é uma das principais causas de morte da população jovem no globo: a segunda na faixa etária entre 15 a 34 anos."Nada impede que se produza o conteúdo, mas com orientação, discutindo com profissionais, pais e professores sobre fatores de risco, prevenção, sinais de alerta".

Kieling também aponta onde 13 Reasons Why poderia ser melhor: "A série não mostra que existem formas de buscar ajuda e, além disso, detalha como Hannah se matou, o que não é recomendado". "Esconder o suicídio não vai fazer o problema desaparecer. Mas temos de ter cuidado ao retratá-lo”.

A Netflix incluiu um vídeo antes de cada episódio da segunda temporada de 13 Reasons, no qual os próprios atores fazem alertas de como procurar ajuda para os telespectadores que se sentiram abalados pelo drama de Hannah e de outros personagens.

*O Centro de Valorização da Vida (CVV) dá apoio emocional e preventivo ao suicídio. Se você está em busca de ajuda, ligue para 188 (número gratuito) ou acesse www.cvv.org.br.

Fonte

Geral
Perder um animal de estimação é tão ou mais doloroso do que perder um parente

Perder um animal de estimação é uma dor bastante intensa, mas há quem diga que é “apenas um cão”. Uma pesquisa confirmou que para a maioria das pessoas, a perda de um cão é, em quase todos os sentidos, comparável à perda de um humano amado.

Infelizmente, nossa cultura - rituais de luto, obituário no jornal local, serviço religioso - pouco nos ajuda a superar a perda de um animal de estimação e isso pode nos deixar envergonhados em expor a tristeza.

Se as pessoas percebessem quão forte é nosso vínculo com cães, essa dor seria mais aceita. Por que somos tão próximos deles? Para começar, os cães se adaptaram a viver com humanos nos últimos 10 mil anos - são os únicos animais que evoluíram especificamente para serem nossos amigos.

O antropólogo Brian Hare desenvolveu a “Hipótese de Domesticação” para explicar como os cães se transformaram de seus ancestrais – lobos – nos animais socialmente qualificados de hoje. Nosso relacionamento com eles é bom porque eles nos dão feedback.

Exames de ressonância magnética mostram que os cérebros de cães respondem aos elogios de seus donos tão fortemente quanto à comida – e para alguns cães, o elogio é um incentivo ainda mais eficaz do que o alimento.

Os cães reconhecem as pessoas e podem aprender a interpretar estados emocionais humanos. Estudos científicos também indicam que os cães podem entender as intenções humanas, tentar ajudar seus proprietários e até mesmo evitar pessoas que não cooperam com seus donos.

Por sua vez, os humanos respondem positivamente a tanta afeição, assistência e lealdade. Basta olhar para os cães para sorrirmos. Proprietários de cães são mais felizes em comparação aos donos de gatos ou a quem não possui animais de estimação.

A psicóloga Julie Axelrod apontou que a perda de um cão é dolorosa pois não é somente a perda de um animal de estimação. É a perda de uma fonte de amor incondicional, um companheiro que proporciona segurança e conforto, um ser que talvez tenha sido cuidado como uma criança.

A perda de um cão também pode atrapalhar seriamente a rotina diária do dono mais profundamente do que a perda da maioria dos amigos e parentes. Muitos donos programam suas rotinas em função do animal e mudanças na rotina é uma fonte de estresse.

Fonte

Geral
Acredite se quiser: cereal matinal surgiu para evitar a masturbação

O sobrenome do médico John Kellogg virou sinônimo de café da manhã por conta do cereal. Mas poucos sabem que ele era adepto de uma forma particularmente radical de puritanismo sexual. Devoto da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ele viveu um casamento de 40 anos sem sexo.

Kellogg acreditava que doenças e pecado andavam juntos: a decadência da alma causa a decadência do corpo. Desses vícios, um dos mais letais seria a masturbação. Chegou a catalogar 39 sintomas de quem se masturbava, incluindo acne, má postura, epilepsia e palpitações.

Para ele, as tentações podiam ser amenizadas pela indução de um estado mental “saudável” - o fim dos desejos passava por uma dieta sem carne e sem sabor. Ao trabalhar num sanatório, Kellogg dedicou-se ao tema usando alimentos sem graça para tentar inibir a libido. Como o milho puro.

Uma das versões da história relata um erro do irmão mais novo do dr. Kellogg: Will Feith teria esquecido no forno, em 1894, uma maçaroca de milho a ser servida aos pacientes. Os dois trituraram tudo e obtiveram flocos. Sucesso! Não tinha a menor graça. Corpos e almas seriam salvos.

Em 1897, eles criaram a Kellogg Company. Ele tinha outra ideia para o cereal: adicionou açúcar, tornando o produto mais excitante. A ideia de John Kellogg foi pervertida: sucrilhos nunca curariam ninguém do mal manual. E os irmãos nunca mais se falariam.

Fonte