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A origem do Linchamento e o terrorismo racial

Quando os aqueles que deveriam promover a lei falham, o povo tenta fazer justiça com as próprias mãos. O resultado disso é catastrófico, principalmente para a parcela mais excluída da sociedade. Esse texto vai revelar o genocídio promovido por um americano, Charles Lynch.

Lynch nasceu na na Virgínia em 1736, e havia se convertido à comunidade Quaker, uma variação dos protestantes que defendiam um certo pacifismo, solidariedade e da filantropia entre membros. Os Quakers se chamavam de "Filhos da Luz, Amigos da Verdade e até de Santos.

Charles ganhou influência para se tornar um líder da comunidade e também um dos maiores escravagistas da região. Com a Revolução Americana, Lynch os Quakers e se tornou e Juíz de paz do condado de Bedford. Depois levantou seu próprio regimento miliciano.

Naquela época nem todos americanos eram patriotas, parte deles lutavam pelos colonizadores e ainda haviam muitos nativos como mohawks ou os cherokees. Então havia um medo do crescimento de uma rebelião tentar devolver o poder das 13 colônias aos britânicos.

O que Lynch fazia era patrulhar o condado, em busca de suspeitos, desertores e possíveis conspiradores. Que deveriam ser enviados ao governador Thomas Jefferson para julgamento, porém seus destinos acabavam nas mãos violentas e do crivo inescrupuloso de Lynch.

Os piores criminosos foram amarrados a árvores e açoitados até a morte, ou até desmaiarem de dor para depois morrerem pendurados. Isso ficou conhecido como Lei de Lynch, ou justiça com as próprias mãos. Nessa época não tinha contexto racial contra negros.

Mas as coisas mudaram drasticamente depois de 1800 quando os estados do sul americano instauraram uma onda de terror racial. Louisiana, Geórgia, Alabama, Flórida e Mississippi ajudaram no linchamento de 4.000 negros entre 1877 a 1950.

Linchamento em Excelsior Springs, Missouri, em 1925. Crédito: Bettmann/Corbis

As leis de segregação americana facilitaram as coisas e a maioria dos negros era linchado por coisas simples como responder de volta uma ofensa aos brancos ou insistir em lutar por justiça e direitos civis básicos.

O linchamento se tornou um artifício de controle social, sempre que a sociedade branca se preocupava com a evolução dos negros na sociedade ou mesmo com alguns brancos que acreditavam na integração, o número de linchamento crescia.

No último século a sociedade aceitou o linchamento de negros, com anúncios no jornal. "Três mil pessoas vão queimar um negro", dizia uma notícia do New Orleans State, de 1919. Centenas de negros foram assassinados simplesmente por “vadiagem”.

Esses atos não eram feitos por grupos menores e extremistas, eram feitos por toda a sociedade como uma mensagem que impunha um limite para a ascenção social. Afirma o professor de Sociologia da Universidade de Washington.

O Brasil também utilizou o linchamento de forma parecida, mais de 1,5 milhão de brasileiros participaram de linchamentos no país nos último 73 anos segundo o livro Linchamentos – A Justiça popular no Brasil escrito por José de Souza Martins.

Assim como nos EUA a maior parte dos casos é contra negros. a Historiadora Memphis Margaret Vandiver traça uma linha tênue entre a Pena de morte e o linchamento da população negra. https://www.amazon.com/Lethal-Punishment-Lynchings-Legal-Executions/dp/0813537290

Por aqui o racismo infectou tantas mentes que nos acostumamos a ver negros morrendo na TV, nos presídios e nas ruas sem que isso pareça errado. Só que o genocídio continua e por isso a ONU lançou ano passado uma campanha pelo fim da violência contra nossa juventude. https://nacoesunidas.org/onu-brasil-lanca-campanha-pelo-fim-violencia-contra-juventude-negra/

Fontes 1, 2, 3 e 4

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