Geral

Philbert Noyce é um dos únicos trabalhadores humanos em uma linha de produção completamente automatizada, existe uma certa harmonia na sua vida que foi destruída quando ele cometeu um erro grave em seu tempo: se importar com os outros.

Tudo começou quando um corpo foi encontrado pendurado em um poste de luz, a população estava ignorando este fato, de uma forma bem distante e fria. É uma hipérbole do comportamento presente em metrópoles do nosso mundo. São Paulo não é chamada de “Selva de Pedra” a toa.

Até aí é só mais um, não era conhecido, nem da família. Era “os outros” e ninguém se importa com eles, mas vida de Noyce muda quando ele percebe em um discurso de uma política incentivando a violência, em uma fração de segundos ela diz na TV "matar todos os outros".

Qualquer político que tenha um discurso de ódio e violência, mesmo que indireto, deveria receber o escrutínio social pelo seu caráter. Mas não foi o que aconteceu, à medida que Philbert se preocupava com a mensagem direcionada aos “outros”, ela aparecia com mais frequência

Sem saber quem são esses outros, ele se viu em dificuldades. Aparentemente teve um surto psicótico em um episódio nos trilhos do trem e precisou de uma avaliação psicológica. Sua mulher e seus amigos não se importavam com o que estava acontecendo.

A crítica contra a inércia da sociedade e sua falta de empatia com pessoas diferentes é muito evidente. A tensão aumentava quanto mais aquele homem se importava com quem não conhecia, afinal, em nenhum momento a história nos revelou quem eram os outros

Não vou dar spoilers para quem não assistiu, esse é um dos episódios da série Electric Dreams, a série de Ficção Científica inspirada na obra de Philip K. Dick's, conhecido também com PKD

O autor é muito conhecido por obras que trazem temas relacionados a política, autoritarismo, realidades misturadas e até misticismo para construir universos futuristas. Esse episódio em questão se chama “Kill all others” e foi inspirado no conto “The Hanging Stranger”

Ele reflete muito o olhar humanista e sensível que a produção de #scifi tem para as relações humanas. Sem um contexto profundo e uma boa discussão, essas histórias não passariam de cascas cheias de robôs, wifi e raios lasers cortando o espaço.

Não tive como deixar de correlacionar o episódio com os momentos que vivemos em nosso cenário mundial, com o aumento de uma intransigência, uma caçada quixotesca a inimigos que nunca existiram mas que são identificados simplesmente como “os outros”

A ironia é que, por mais que os mitos criados por autores de ficção ou por líderes religiosos e políticos não consigam identificar exatamente que são esses outros, é possível identificar o grupo que sente-se elevado, sublime e superior.

Se proclamam cidadãos de bem, defensores da lei e da ordem e querem manter a harmonia das coisas. Dentro esses sistemas, se preocupar com quem é diferente pode realmente ser um perigo e instigar o ódio de entidades poderosas. Ter empatia é começar uma verdadeira revolução

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