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40% fazem diagnóstico de doença pela Internet e maioria tem ensino superior

O “doutor Google” é mais consultado por pessoas das classes A e B, com curso superior e jovens, segundo levantamento do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ). Feito em maio de 2018, o levantamento ouviu 2090 pessoas em 120 municípios, incluindo todas as capitais.

Estudo sobre o tema apontou que 40,9% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet. Desses, 63,84% têm formação superior. Na edição atual, os pesquisadores resolveram traçar o perfil de quem busca diagnósticos na internet.

“Imaginávamos que quem se autodiagnosticava eram pessoas sem acesso a médico, mas são pessoas das classes A e B, esclarecidas e com poder econômico para buscar uma informação de saúde mais consistente, diz Marcus Vinicius Andrade, diretor de pesquisa do ICTQ.

55% das pessoas que fazem autodiagnóstico são das classes A e B e 26%, das classes D e E. “Pessoas de baixa renda ainda buscam mais o médico em prontos-socorros. Quanto mais idosas, mais as pessoas recorrem ao médico, pois têm dificuldade com a internet de modo geral”.

O imediatismo está entre as motivações. “Isso acontece principalmente entre os jovens, de 16 a 34 anos. É a geração com mais acesso a Internet e smartphones. A médica Denize Ornelas, diz que o número de pacientes que chegam aos consultórios com autodiagnóstico e automedicação é crescente.

Ela defende fortalecer a relação entre médico e paciente para evitar que as pessoas tenham consequências mais graves. “A maioria das doenças começa com dor, febre, indisposição, sintomas gerais. Se o paciente se automedica e não espera a progressão, pode estar mascarando uma doença.

A internet não deve ser usada para diagnósticos nem para iniciar tratamentos. "No autodiagnóstico, o Dr. Google não fala, não prescreve remédio, não visita os pacientes internados, como pode diagnosticar doenças?”, diz Antonio Carlos Chagas, diretor científico da Associação Médica Brasileira (AMB).

Em 2016, o Google e o Hospital Albert Einstein fecharam uma parceria para oferecer informações confiáveis para usuários que fazem buscas na área da saúde por meio de quadros com dados sobre as doenças revisados pelo hospital.

No ano passado, o projeto foi ampliado e passou a ter dados sobre os sintomas. “Esta busca de sintomas aparece somente em celulares, uma vez que a maior parte das visitas é via mobile”, destaca o centro médico.

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