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Neste 2 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data, estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica.

Neste espectro autista o grau de gravidade varia desde pessoas que apresentam um quadro leve e com total independência e discretas dificuldades de adaptação (por exemplo, autistas de alto funcionamento, síndrome de Asperger) até aquelas que serão dependentes para as atividades de vida diárias (AVDs), ao longo de toda a vida.

O autismo aparece nos primeiros anos de vida. Terapias e medicamentos e é claro, muito amor podem proporcionar qualidade de vida para os pacientes e suas famílias.

Após o diagnóstico, os pacientes devem fazer uma série de tratamentos e habilitação/reabilitação para estimulação das consequências que o autismo implica, como dificuldade no desenvolvimento da linguagem, interações sociais e capacidades funcionais. Essas características demandam cuidados específicos e singulares de acompanhamento ao longo das diferentes fases da vida.

O Muito Interessante conversou com a influenciadora Verônica Oliveira do perfil instagram.com/faxinaboa que costuma publicar em seu facebook sua rotina com seu filho, Panda. Confira abaixo o relato de Verônica e entre estes relatos imagens de publicações que faz em seu perfil no Facebook:

"A gente conhece bem os filhos que tem. Quando o Panda ainda bebê tinha reações muito agressivas, quando sua primeira palavra veio aos três anos, quando só saiu das fraldas aos seis anos, a gente sabe que tem algo ali a ser considerado."

"Na escola ele nunca quis prestar atenção às aulas, mas na primeira série já sabia inglês, decorou a bandeira de muitos países, explicava astronomia, era expert em Angry Birds, mas ainda hoje aos dez anos não consegue amarrar os cadarços ou pentear os cabelos."

"Aliás a escola foi determinante para que eu buscasse um laudo mesmo tendo tomado a decisão de não criá-lo de forma “diferente”. Mas as constantes queixas de que ele não era “normal” me fizeram buscar alguma justificativa, então uma colega do trabalho indicou que eu o levasse à APAE/SP."

"O processo todo levou alguns meses e foi totalmente gratuito, ele passou por análises neurológicas, psicológicas e pediátricas e o atendimento só pode ser descrito como IMPECÁVEL. Não ficam dúvidas, existem assistentes sociais que nos auxiliam em todos os processos: de fazer um bilhete único especial, explicar os direitos que temos, fornecer documentos para a escola, qualquer coisa."

Senti medo, senti culpa, ouvi coisas horríveis (como: autistas não têm sentimentos e seu filho nunca será carinhoso) e imaginei pra ele um futuro difícil. Um dia, um mês, um ano... o tempo passou e hoje vejo evoluções incríveis, mesmo com todas as dificuldades que nós temos já que vivemos na periferia e não temos convênio médico ou escola particular que atenda suas necessidades, então ele muda sempre de psicólogas, de casa, de escola, de amigos, o que é bem estressante, mas ainda assim ele tem se tornado cada vez mais capaz de analisar sua condição e falar sobre isso, faz piadas com o assunto, entende suas limitações e me dá todo dia a chance de curtir o fato de ser mãe de um carinha incrível!"

A psicóloga especialista em neurociências, mestre em Análise do Comportamento (ABA) especializada em Infant Parent Mental Health, Mayra Gaiato, que tem um canal no YouTube com mais de 100 mil inscritos que tem a premissa de levar às pessoas conteúdo sobre Autismo e outras questões importantes sobre o desenvolvimento infantil, diz que é importante acreditar na criança e no potencial delas para uma boa reabilitação:

“Se com 10 números, entre 0 e 9, matemáticos e físicos conseguiram desenvolver tantas fórmulas e cálculos que baseiam a nossa existência e com 26 letras do alfabeto conseguimos criar milhões de teorias que são base para toda a sociedade... Imagine o que não conseguimos fazer com bilhões de neurônios... Acredite na reabilitação! Acredite na criança e no potencial de cada uma delas!” (Frase do Livro SOS Autismo). “Se a terapia semanal que a criança recebe é importante, imagine se a criança pudesse receber essa estimulação 365 dias por ano?! Pois é exatamente isso que ensino!” (Frase do Livro O Reizinho Autista).

Mayra Gaiato acredita que o autismo consegue ser melhorado 90% se a criança é estimulada de forma simples pelos próprios pais precocemente desde a primeira infância. Por isso ela criou o canal para tentar ajudar o maior número de pessoas possíveis para que aprendam os estímulos básicos e façam com as crianças. Sua ideia inicial era viajar o mundo para ensinar os pais a lidarem com as crianças, o canal no YouTube é um meio para poder atingir os quatro cantos do Mundo com suas dicas. Mayra e sua equipe trabalham o conteúdo na internet como trabalham em suas consultas, mesma linguagem e forma. As pessoas podem encontrar conteúdos para aprender a lidar, estimular e tratar em suas casas. Seu canal hoje é o único do mundo que tem uma abordagem técnica sobre o autismo com uma linguagem super acessível.

Confira 5 principais mitos relacionados ao autismo listados e comentados por Mayra Gaiato:

1) É fácil fazer diagnóstico por meio de sintomas característicos - Por exemplo: uma criança que fica num canto da sala fazendo movimentos repetitivos estereotipados, que não olha para ninguém, que não fala com ninguém.

"Mito! Isso é um grande erro. Crianças que não interagem com ninguém são a minoria. Hoje temos o espectro autista que engloba dificuldades na comunicação social, tanto na comunicação expressiva com gestos motores, quando aponta, quando mostra, chama, tanto com ações não verbais, quanto com expressões verbais, mas também atrasos na comunicação receptiva - a criança ignora um pouco quando a gente tenta falar com ela, a criança não olha quando é chamada. Mas as crianças com autismo não são incapazes de fazer isso, muitas delas olham sim, entendem sim, só que fazem tudo isso numa medida um pouco menor, fazem um pouco menos do que deveriam pra idade dela, então elas acabam tendo atrasos e nós podemos deixar essas crianças com atrasos. É importante levar em um profissional especialista em desenvolvimento infantil, em um psiquiatra da infância, em neurologista da infância, ou em um psicólogo especializado que pode direcionar para estes profissionais. A avaliação deve ser feita por uma equipe especializada multidisciplinar, porque não temos ainda um teste biológico."

2) O autismo tem cura. "O autismo ainda não tem cura definitiva.

"Os especialistas não identificaram todos os genes relacionados ao autismo e dentro de cada gene, que são muitos e diferentes existe um espectro autista que varia muito o comportamento e é por esse motivo que uma criança com autismo é completamente diferente da outra. Há muitos tratamentos e a terapia intensiva comportamental baseada na ciência ABA, a ciência que tem comprovação científica."

3) As crianças autistas devem ter o mesmo tratamento.

"Não é verdade, pois depende do nível de gravidade. Existe o nível leve, que é o nível 1, que precisa de pouco apoio para conseguir se comunicar, acompanhar a escola, ter independência e autonomia em casa. As crianças de autismo nível 2, moderado, que tem dificuldade muito intensa na comunicação social, tem o atraso da fala que atrapalha a comunicação receptiva e expressiva. Autismo nível 3, grave, um autismo geralmente associado a uma deficiência intelectual. Crianças que mesmo com muito suporte e apoio ainda sim não conseguem se desenvolver bem, ter autonomia e dependência na vida social e escolar."

4) É impossível se comunicar com uma criança autista.

"Isso não é verdade! As crianças são capazes de entender e são capazes também de aprender a falar. Para que isso aconteça é necessário um tratamento correto, mas existem diversas técnicas que podem ajudar. Mesmo aquelas crianças que tem maior dificuldade, ainda sim podem fazer isso por meio de troca de figuras e comportamentos não verbais, como gestos. É sim possível e totalmente esperado a comunicação de uma criança autista."

5) As pessoas autistas não se conectam com o mundo, não se conectam com outras pessoas.

"Elas fazem isso, mas elas tem um jeito peculiar de entender o mundo. Elas entendem as coisas de uma forma mais concreta e literal. Por exemplo, em uma conversa, se usamos a expressão "nem que a vaca tussa", a pessoa com autismo vai imaginar uma vaca tossindo. Se utilizarmos alguma sutileza social, ou fizermos uma piada, uma inferência, elas podem ter dificuldade em entender, porque elas tem dificuldade em entender a teoria da mente, o que se passa na cabeça do outro, mas é completamente possível tratar e recuperar muitos sintomas de uma pessoa/criança com autismo, quanto mais cedo melhor. Quanto menor for esta criança, mais condições o cérebro dela tem de fazer novas redes, novas conexões (neuroplasticidade)."

Fontes 1, 2 e 3

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